Um relatório da Polícia Federal divulgado nesta terça-feira (1º/09) revelou novas mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O material foi extraído do celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes de cerca de R$ 12 bilhões em operações de cessão de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo a PF, uma das mensagens foi enviada por Vorcaro em 14 de novembro de 2025, após um encontro que teria sido realizado na casa do empresário. No texto, o ex-banqueiro agradece ao ministro e afirma que ele e sua família teriam uma “dívida de vida” com Moraes, além de agradecer por “tudo”.
O relatório também aponta que, horas antes da mensagem de agradecimento, os dois trocaram mensagens para combinar o encontro. Os investigadores afirmam que não há detalhes sobre o assunto tratado na reunião.
Outro trecho do documento mostra que, dois dias antes de ser preso, Vorcaro questionou Moraes sobre a necessidade de deixar o país. Em uma das mensagens, o empresário perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Em seguida, citou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e questionou se seria possível tomar alguma medida relacionada à investigação.
De acordo com a Polícia Federal, o conteúdo das conversas sugere que Vorcaro buscava informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero e sobre possíveis ações das autoridades. O relatório também menciona que o Banco Master firmou, em janeiro de 2024, um contrato de prestação de serviços com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
A PF afirma ter encontrado documentos, mensagens e registros de pagamentos relacionados ao contrato. O mesmo relatório aponta cobranças feitas por Vorcaro para evitar atrasos nos repasses ao escritório.
O caso está sob análise do ministro André Mendonça, do STF, que retirou o sigilo da investigação. As informações integram uma apuração que busca esclarecer a existência de uma suposta rede de influência e monitoramento atribuída ao ex-banqueiro.
Até o momento, o Banco Central não se manifestou sobre as citações envolvendo o presidente da instituição, Gabriel Galípolo.








