Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Meninas lideram índices de depressão, automutilação e insegurança no Brasil
Brasil
Meninas lideram índices de depressão, automutilação e insegurança no Brasil
STF anula condenação de Anthony Garotinho na Operação Chequinho por uso de provas ilícitas
Política
STF anula condenação de Anthony Garotinho na Operação Chequinho por uso de provas ilícitas
Corrida Mulher Maravilha antecipa fechamento do Aterro do Flamengo neste domingo
Rio de Janeiro
Corrida Mulher Maravilha antecipa fechamento do Aterro do Flamengo neste domingo
Governo zera imposto para componentes de ‘canetas emagrecedoras’
Brasil
Governo zera imposto para componentes de ‘canetas emagrecedoras’
Moradora é morta a tiros na frente do filho durante operação policial em São Gonçalo
São Gonçalo
Moradora é morta a tiros na frente do filho durante operação policial em São Gonçalo
Papa Leão XIV critica desigualdade social em visita a Mônaco
Mundo
Papa Leão XIV critica desigualdade social em visita a Mônaco
Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe começa sob alerta de alta em casos graves
Brasil
Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe começa sob alerta de alta em casos graves

Ipea diz que redução da jornada 6×1 pode redistribuir renda no Brasil

Análise mostra que jornadas mais longas concentram trabalhadores de menor renda e escolaridade

Siga-nos no

reprodução

Um estudo que será divulgado nesta terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indica que uma eventual redução da jornada de trabalho no Brasil pode ter um efeito relevante de redistribuição de renda, informa a coluna Painel, da Folha de S. Paulo. A conclusão parte da constatação de que a jornada semanal de 44 horas, atualmente o limite máximo previsto em lei, concentra trabalhadores de menor renda e com níveis mais baixos de escolaridade.

A análise foi feita a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2023 e integra uma nota técnica elaborada pelo instituto. Segundo o levantamento, jornadas mais extensas estão associadas a ocupações de baixa remuneração, maior rotatividade e menor estabilidade no mercado de trabalho.

Jornadas longas e desigualdade salarial

De acordo com o estudo, trabalhadores submetidos a jornadas de 44 horas semanais tendem a ocupar postos com salários mais baixos e piores condições contratuais. Em contrapartida, contratos com carga horária de 40 horas semanais aparecem mais frequentemente ligados a rendimentos médios superiores e maior qualificação profissional.

Essa diferença, segundo os pesquisadores, ajuda a explicar por que a redução da jornada poderia produzir efeitos redistributivos. Ao diminuir o tempo máximo de trabalho semanal, haveria um impacto proporcionalmente maior sobre trabalhadores de menor renda, que hoje concentram as jornadas mais longas.

A nota técnica aponta ainda que a associação entre jornadas extensas e baixos salários reflete a própria estrutura do mercado de trabalho brasileiro, marcada por desigualdades educacionais e ocupacionais.

Base de dados e perfil dos trabalhadores

Os dados da Rais permitem identificar padrões de contratação formal em todo o país, incluindo carga horária, remuneração e características dos vínculos empregatícios. A partir dessas informações, o Ipea observou que setores com maior presença de trabalhadores menos escolarizados e com alta rotatividade concentram a maior parte dos contratos de 44 horas.

Já as jornadas reduzidas ou padronizadas em 40 horas aparecem com mais frequência em ocupações que exigem maior nível de qualificação, o que ajuda a explicar a diferença salarial média entre os dois grupos.

Debate ganha força no governo

O estudo é divulgado em um momento em que o debate sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro da agenda pública. A discussão ganhou impulso com a proposta de extinguir a escala 6×1, tema que figura entre as prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para este ano.

Defensores da mudança argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e estimular a geração de empregos, enquanto críticos apontam possíveis impactos sobre custos para as empresas e a produtividade.