A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado aprovou, nesta quarta-feira (18), a convocação do secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio, João Pires. A decisão ocorre dois dias após ele relatar ter sido perseguido por homens armados na Região Metropolitana.
O pedido partiu do relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que pretende usar o depoimento para aprofundar as investigações sobre a atuação do crime organizado em setores da economia formal, com foco especial no mercado de combustíveis.
O episódio aconteceu na RJ-106, em São Gonçalo. Segundo o secretário, ele foi seguido por criminosos armados ao sair de um posto de gasolina. O caso ainda está sob investigação.
O prefeito Eduardo Paes afirmou que há indícios de que a perseguição possa estar ligada às ações de combate à chamada “máfia dos combustíveis”. Já a Polícia Civil, até o momento, trata a ocorrência como tentativa de roubo, mas segue apurando as circunstâncias.
À frente do Procon Carioca, João Pires tem intensificado fiscalizações em postos, o que, na avaliação de integrantes da CPI, pode ter aumentado sua exposição. A comissão busca identificar práticas ilegais no setor, como fraudes, cartelização e lavagem de dinheiro.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o crime organizado movimenta cerca de R$ 146 bilhões por ano no país, sendo R$ 61,4 bilhões apenas no mercado ilegal de combustíveis.
Diante da gravidade do caso, o relator solicitou ao Ministério da Justiça medidas de proteção ao secretário, incluindo escolta e possível inclusão em programas de segurança para autoridades ameaçadas.
No mesmo dia, a CPI também aprovou a convocação de outros nomes ligados a investigações em andamento, mas rejeitou o pedido para ouvir o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, evidenciando divergências internas sobre o alcance das apurações.






