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Justiça condena policiais por fraude processual no caso Kathlen Romeu

De acordo com a decisão, há provas de que os agentes modificaram a cena do crime

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Kathlen de Oliveira Romeu. Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) condena, nesta sexta-feira (20), três policiais militares por fraude processual na morte de Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos, no Complexo do Lins. De acordo com a decisão, há provas de que os agentes modificaram a cena do crime.

Os policiais Rodrigo Correia de Frias, Marcos Felipe da Silva Salviano e Rafael Chaves de Oliveira foram condenados com base na Lei de Abuso de Autoridade. A decisão do desembargador Marcelo Castro Anátocles da Silva reformou, em parte, a sentença anterior que havia absolvido os réus.

Os agentes citados teriam retirado vestígios do local e apresentado, depois, munições que não estavam originalmente no local. Segundo o tribunal, a mudança buscava sustentar a versão de que houve confronto armado e, assim, afastar responsabilidade pela morte da jovem.

Laudos periciais e depoismentos que idicam que não houve troca de tiros na região foram usados para basear a decisão. A análise afirma que os materiais apresentados pelos policiais não eram compatíveis com aqueles encontrados no local.

Com a condenação, os três policiais recebem pena de 2 anos e 15 dias de reclusão, em regime inicial aberto, além de multa. Os agentes ainda sofrem suspensão da pena por três anos, o que significa que eles não devem cumprir prisão imediata, desde que atendam às condições impostas pelo Judiciário nesse período.

A responsabilização pela morte de Kathlen ainda é analisada em outra ação, que tramita na Justiça.

Em junho de 2021, Kathlen Romeu, que estava grávida, foi visitar a avó no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao deixar o local, acabou sendo atingida por um disparo de fuzil durante uma operação policial.

No início, a versão divulgada indicava que havia ocorrido um confronto entre policiais e criminosos. Entretanto, as investigações posteriores apontaram que não houve troca de tiros naquele momento.

De acordo com familiares, Kathlen só foi socorrida após insistência. Ela chegou a ser encaminhada a um hospital, mas não sobreviveu.