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Crime organizado: mais de 12 mil ações penais aguardam julgamento no Brasil

Levantamento do CNJ revela que o volume de novos processos saltou 160% em cinco anos.

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Reprodução

O Judiciário brasileiro enfrenta um gargalo crescente no combate ao crime organizado. Dados divulgados nesta segunda-feira (23) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que 12.448 ações penais relacionadas a organizações criminosas seguem tramitando sem um desfecho nos tribunais do país.

O balanço, apresentado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, ministro Edson Fachin, durante evento na capital federal, acende um alerta sobre a sobrecarga do sistema. Em apenas cinco anos, a entrada de novos casos mais do que dobrou: o fluxo saltou de 2.607 processos, em 2020, para 6.761 em 2025 — um aumento expressivo de 159,3%.

Ameaça institucional e econômica

Para Fachin, o acúmulo de processos e a velocidade de expansão dessas quadrilhas representam um risco direto às instituições democráticas e à estabilidade econômica. O ministro destacou que o crime organizado deixou de ser uma questão meramente de segurança pública para se tornar uma estrutura que corrompe mercados legais.

“Essas organizações atuam de forma estruturada, influenciando mercados e utilizando mecanismos financeiros sofisticados para ocultar recursos ilícitos”, afirmou o ministro.

Disputa de território

Outro ponto crítico levantado pelo presidente do CNJ é a soberania estatal. Segundo Fachin, o financiamento de atividades violentas permite que esses grupos disputem o controle de territórios vulneráveis com o próprio Estado, criando um poder paralelo que dificulta a aplicação da lei.

A cúpula do Judiciário defende agora uma força-tarefa para conferir maior eficiência e celeridade aos julgamentos, visando asfixiar o braço financeiro das facções e garantir respostas mais rápidas à sociedade.