O presidente Donald Trump voltou a colocar Cuba no centro da mira da política externa dos Estados Unidos. Durante um evento realizado em Miami nesta sexta-feira (27), o líder norte-americano afirmou que a ilha caribenha será o “próximo alvo” das atenções de Washington, utilizando uma retórica que mistura demonstração de força militar e pressão econômica.
“Eu construí este grande Exército”, declarou Trump ao exaltar as recentes operações dos EUA envolvendo a Venezuela e o Irã. “Eu disse: ‘Vocês nunca precisaram usá-lo’. Mas às vezes é preciso usá-lo. E Cuba é a próxima [vítima], aliás, mas finjam que eu não disse isso, por favor”, ironizou o presidente perante a plateia.
O cerco econômico e o fator Venezuela
A ameaça ocorre em um momento de asfixia econômica severa para o governo de Miguel Díaz-Canel. Historicamente dependente do petróleo venezuelano, Cuba viu esse fluxo ser interrompido após a queda de Nicolás Maduro e a ascensão de Delcy Rodríguez ao poder em Caracas.
Diferente de seu antecessor, o novo governo venezuelano alinhou-se aos interesses de Washington, cortando o suprimento energético que sustentava a ilha. O movimento provocou um colapso em diversos setores cubanos, já fragilizados pelo embargo econômico que perdura desde a década de 1960.
“Mudança de regime” no horizonte
O governo Trump não esconde que o objetivo final é uma transformação política profunda em Havana. Fontes da Casa Branca sinalizam que qualquer alívio nas sanções ou novo acordo diplomático estaria condicionado a uma transição de sistema.
Essa tese foi corroborada pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, durante reunião do G7 também nesta sexta-feira. Rubio, conhecido por sua postura rígida contra o regime cubano, foi direto: “A economia de Cuba precisa mudar, e essa mudança só acontecerá se o sistema de governo mudar. É simples assim”.
Tensões regionais
Esta é a mais recente de uma série de declarações hostis de Trump nas últimas semanas. O presidente já havia mencionado que teria a “grande honra” de assumir o controle da ilha, sugerindo que uma ação mais incisiva poderia ocorrer após a resolução dos conflitos com o Irã.
Até o momento, o governo cubano mantém a postura de resistência, mas enfrenta pressões internas crescentes devido à escassez de recursos básicos e ao isolamento diplomático na região.






