O governo em exercício do Rio de Janeiro suspendeu a compra de um helicóptero Black Hawk para a Polícia Militar após identificar uma série de problemas no processo de licitação e por desconfiar que a aeronave era usada.
O Black Hawk é um helicóptero militar multifuncional fabricado nos Estados Unidos pela Sikorsky Aircraft e utilizado por forças armadas e órgãos de segurança de diversos países. Conhecida pela resistência e capacidade operacional em áreas de combate, a aeronave pode ser usada em missões de transporte de tropas, resgate, evacuação médica e ações táticas.
Ao menos duas empresas que participaram da concorrência eram ligadas a um mesmo empresário: Fernando Carlos da Silva Telles, de 55 anos. Tico-Tico, como é chamado, é conhecido no meio de prestação de serviços de helicópteros por já ter participado de concorrências e, em alguns casos, suas aeronaves apresentarem problemas para administrações públicas, seja na gestão estadual ou federal.
Licitação
A aquisição do helicóptero blindado custaria US$ 12,6 milhões ou R$ 70,3 milhões aos cofres estaduais na conversão do dólar no dia que o negócio foi fechado. A justificativa para se adquirir a aeronave era que a polícia precisava de um equipamento com forte blindagem para atuar em áreas conflagradas no Rio de Janeiro.
Após mais de um ano de tramitação da licitação, a empresa Blue Air Táxi Aéreo foi a escolhida para fornecer a aeronave de guerra à PM do Rio.
A Blue Air mantém sedes em um hangar no Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, e em Alagoas. A empresa atua principalmente nos setores de táxi aéreo e serviços aeromédicos, com aeronaves equipadas para remoção de pacientes em emergências. É assim que ela está registrada na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A concorrência começou em 2024, quando o governo do estado decidiu abrir licitação para a compra de um helicóptero blindado para a Polícia Militar.
De acordo com o edital, antes os disparos contra o Caveirão do ar, que é como o helicóptero blindado da PM é chamado, eram “voltados para possibilitar a fuga de criminosos, agora (segundo a corporação) têm o objetivo de abater os helicópteros”, o que pode retirar de uma circulação um equipamento da polícia.
Além disso, a PM considera que a aeronave “oferece grande poder de dissuasão e vantagem tática, aumentando a segurança da tropa e a probabilidade de êxito nas missões”.
De acordo com a corporação, houve um aumento da ordem de 66,6% na quantidade de avarias causadas por disparos de armas de fogo em helicópteros do Grupamento Aeromóvel (GAM) no último ano. Entre 2022 e 2025, todas as avarias ocorreram no helicóptero de matrícula PR-COE, modelo Huey II, o único blindado da frota de 7 aeronaves.










