O brilho que há décadas ilumina a Marquês de Sapucaí ganhará um novo palco. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou a entrega da Medalha Pedro Ernesto a Pinah Ayoub, figura histórica da Beija-Flor de Nilópolis e ícone incontestável do Carnaval carioca. A iniciativa, de autoria da vereadora Tainá de Paula (PT), celebra não apenas a arte do samba, mas a força da representatividade da mulher negra na cultura nacional.
Uma honraria para quem fez história
A Medalha Pedro Ernesto é a principal condecoração do Rio, destinada àqueles que prestam serviços de relevância ímpar à cidade. Para a vereadora Tainá de Paula, homenagear Pinah é um ato de justiça histórica.
“A escolha de Pinah ocorreu por sua contribuição inestimável à cultura carioca, à identidade do Carnaval brasileiro e à representatividade da mulher negra na arte popular”, justificou a parlamentar.
Visivelmente emocionada com o anúncio, Pinah destacou a importância de ser celebrada no presente. “Fico muito lisonjeada de ser homenageada em vida. De poder sentir o carinho e a valorização das pessoas enquanto estou na ativa”, afirmou a sambista, estendendo o mérito à comunidade de Nilópolis, onde hoje ocupa um cargo na diretoria da escola.
De Minas para o Mundo: O encontro que parou o planeta
Maria da Penha Ferreira Ayoub, a Pinah, trocou Minas Gerais pelo Rio ainda jovem. Ex-modelo e dona de uma elegância magnética, ela chegou à Beija-Flor em 1976 pelas mãos dos gênios Joãosinho Trinta e Jésus Henrique. Não demorou para que sua imagem de cabeça raspada e samba no pé se tornasse o rosto da “Era de Ouro” da agremiação.
Entretanto, foi em 1978 que Pinah protagonizou um dos momentos mais icônicos da história diplomática e cultural do Brasil. Durante a visita oficial do então príncipe Charles (hoje Rei Charles III), a sambista quebrou o protocolo real e sambou com o herdeiro do trono britânico. A cena rodou o mundo e a transformou, nas palavras do enredo da própria Beija-Flor, na “Cinderela negra que ao príncipe encantou”.
Legado vivo
A influência de Pinah atravessa gerações. Em 2019, a Beija-Flor levou para a avenida uma ala inteira de mulheres negras com as cabeças raspadas, uma reverência direta ao visual que Pinah imortalizou.
Após quase cinco décadas de dedicação ao samba, a homenagem na Câmara Municipal oficializa o que o povo do Rio já sabe há muito tempo: Pinah não é apenas um destaque de chão, é um pilar da identidade visual e emocional do Rio de Janeiro.










