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Polícia Civil ataca esquema interestadual de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho

Ação, que inclui pedido de bloqueio de R$ 600 milhões, ocorre no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em Mato Grosso.

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A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (16/12), mais uma fase da Operação Contenção, voltada ao desmonte do núcleo financeiro do Comando Vermelho. A ação mira um esquema de lavagem de dinheiro em larga escala, com bloqueio de contas pessoais e empresariais, sequestro de bens móveis e imóveis e pedido de bloqueio de R$ 630 milhões. Ao todo, estão sendo cumpridos 39 mandados de busca e apreensão.

As investigações apontam que o esquema era comandado por Edgar Alves de Andrade, o Doca, e Carlos da Costa Neves, o Garderal, apontados como responsáveis por movimentar e ocultar recursos da facção criminosa.

A operação é conduzida por policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), com apoio de agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

As diligências ocorrem na capital, na Baixada Fluminense e no município de Silva Jardim, no interior do Rio, além de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e Pontes e Lacerda, no Mato Grosso. Também participam da operação policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de unidades do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), além de agentes da Polícia Civil mineira e mato-grossense.

A investigação, que contou com o apoio do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), reforçou que o funcionamento da facção não se sustenta apenas pela venda de drogas, mas principalmente por um complexo sistema de lavagem de dinheiro ao qual permite receber, ocultar, movimentar e reinserir valores ilícitos no sistema financeiro.

Esse dinheiro financia a compra de drogas, armas, veículos, imóveis e a manutenção do domínio territorial. Ao atingir diretamente esse fluxo financeiro, a operação busca provocar o colapso da caixa da facção, retirando sua capacidade de custear a própria estrutura criminosa.

Como funcionava o esquema

As investigações apontaram que Doca, chefe do Comando Vermelho, Gardernal, seu principal operador, estruturaram e coordenaram o esquema de lavagem de dinheiro, utilizando pessoas físicas e jurídicas (alvos das buscas desta terça) para movimentar milhões de reais em recursos.

No centro desse esquema, segundo a polícia, está Wenceslau Batista Oliveira Neto, responsável por receber, concentrar e movimentar grandes volumes de dinheiro, tanto em contas bancárias pessoais quanto em contas empresariais. Ele utilizava empresas de fachada e contava com o apoio de operadores do Relatório de Inteligência Financeira (RIFs).

As movimentações de valores aparecem incompatíveis com a renda declarada, evidenciando o enriquecimento ilícito. Os valores eram enviados para outras contas, dispersados e neutralizados por medidas judiciais de bloqueio.

O esquema ainda se valia de mulas financeiras, utilizados para realizar depósitos em dinheiro vivo. Esses depósitos eram feitos em valores de origem, remetidos em pequenas quantias, processados em contas de terceiros espalhadas pelo país, de maneira a dificultar o rastreamento da origem dos valores, prática que caracteriza lavagem de dinheiro e tinha como objetivo reinserir valores no sistema financeiro.

Fluxo de dinheiro fora das comunidades

A Polícia Civil concentrou a investigação no caminho do dinheiro, demonstrando que, enquanto o crime se manifesta nas comunidades exploradas pela facção, os valores arrecadados seguem para contas específicas, onde são concentrados e redistribuídos para manter toda a estrutura criminosa.

Os documentos demonstram que o município de Pontes e Lacerda, no Mato Grosso, foi utilizado como um dos principais pontos de concentração financeira, funcionando como base para recebimento e movimentação dos valores ilícitos, distante dos locais de maior visibilidade do tráfico, justamente para reduzir a exposição dos líderes criminosos.

Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil representou judicialmente pelo bloqueio de aproximadamente R$ 600 milhões, valor correspondente à movimentação financeira suspeita identificada em cerca de dois anos. Foram alcançadas contas bancárias pessoais, contas comerciais e outras pessoas físicas e jurídicas utilizadas no esquema.

Além dos bloqueios bancários, houve o sequestro de bens móveis e imóveis, inclusive propriedade rural no Estado do Mato Grosso, incompatível com a renda declarada, impedindo a ocultação patrimonial e reforçando a efetividade da responsabilização penal.

A operação cumpre mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com foco na apreensão de documentos, mídias digitais, valores, veículos e outros elementos probatórios, aprofundando a investigação financeira.

A ação faz parte da “Operação Contenção”, uma ofensiva estratégica do Governo do Estado para conter e atacar o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho. O principal objetivo é desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da organização criminosa, além de prender traficantes que atuam na região. Até o momento, mais de 250 capturados e outros 136 criminosos neutralizados em confronto. Foram apreendidas cerca de 460 armas, sendo 189 fuzis, e mais de 50 mil munições.