A Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu retirar do projeto Praça Onze Maravilha a construção de um mergulhão na Avenida Presidente Vargas. A alteração faz parte da reformulação do plano de revitalização da região central da cidade, que também prevê a demolição do Elevado Trinta e Um de Março e novas intervenções urbanísticas no entorno da Praça Onze.
A mudança foi comunicada pela Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos à construtora responsável pelo detalhamento urbanístico do projeto. A proposta original previa uma via expressa sem sinais até a região do Santo Cristo, o que exigiria o rebaixamento de um trecho da Presidente Vargas. Com a revisão, a prefeitura manterá apenas um mergulhão nos acessos do Túnel Santa Bárbara, próximo à Rua Benedito Hipólito.
Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, a solução com apenas uma passagem subterrânea foi considerada mais adequada para o trânsito da região. Com isso, os motoristas continuarão utilizando sinais para atravessar a Avenida Presidente Vargas.
O projeto Praça Onze Maravilha prevê utilizar recursos obtidos com a venda de terrenos públicos liberados após a derrubada do Elevado 31 de Março para financiar as obras de revitalização. Entre os destaques do plano estão a criação de um boulevard integrado ao Sambódromo e a futura Biblioteca dos Saberes, assinada pelo arquiteto Francis Kéré.
A demolição do elevado está prevista para ocorrer até 2028, e o custo total estimado da operação é de R$ 1,75 bilhão.
Mudanças urbanísticas
Durante a análise do projeto na Câmara Municipal, a prefeitura aceitou alterações sugeridas por vereadores. Uma das principais mudanças reduz a altura máxima permitida para prédios próximos ao bairro de Santa Teresa.
Inicialmente, o projeto autorizava construções de até 92 metros, o equivalente a cerca de 30 andares. Após críticas de moradores e questionamentos relacionados ao impacto visual e à proximidade com a área de aproximação do Aeroporto Santos Dumont, o limite deve cair para aproximadamente sete andares.
Outra emenda aceita pelo Executivo prevê garantia de permanência dos moradores da região abrangida pela operação urbana. Caso haja necessidade de reassentamento, a transferência deverá ocorrer obrigatoriamente na Região Central da cidade.
Cidade do Samba e habitação popular
O governo municipal também concordou com uma proposta que condiciona a venda do terreno da Cidade do Samba à construção prévia de um novo espaço para as escolas do Grupo Especial nas proximidades da Avenida Presidente Vargas.
Além disso, outra emenda prevê destinação de recursos para regularização fundiária e recuperação da Vila Operária Salvador de Sá, no Estácio. Considerado o primeiro conjunto habitacional popular do país, o local foi construído em 1906 e atualmente abriga cerca de 120 famílias.
Outras propostas ainda estão em análise, incluindo a possibilidade de utilizar recursos do projeto para auxiliar na expansão do VLT até o Catumbi, na ligação Estácio-Carioca do metrô e no incentivo à construção de moradias populares pelo programa Minha Casa, Minha Vida.










