O Rio de Janeiro voltou a liderar o ranking nacional de prejuízos causados por roubos de cargas no primeiro trimestre de 2026. De acordo com o relatório da nstech, empresa especializada em tecnologia para logística e supply chain, o estado concentrou 44% das perdas registradas no país no período.
O índice representa um salto expressivo em relação aos anos anteriores. No mesmo trimestre de 2025, o Rio respondia por 16,4% dos prejuízos nacionais. Em 2024, o percentual era de 17,5%.
O levantamento aponta uma mudança no perfil das quadrilhas, que passaram a priorizar cargas de maior valor agregado e fácil revenda no mercado ilegal. Os medicamentos aparecem como principal alvo dessa nova estratégia criminosa.
Segundo o estudo, os prejuízos envolvendo produtos farmacêuticos saltaram de 1,7% para 22,3% em apenas um ano. Quase metade das cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão roubadas no período pertence ao setor farmacêutico.
Além disso, o relatório mostra que os criminosos têm ampliado a atuação em áreas urbanas, especialmente na etapa final das entregas, conhecida como “última milha”. No Rio, 60,7% dos roubos ocorreram em trechos urbanos, próximos a centros comerciais, polos de distribuição e rotas de abastecimento.
As cargas fracionadas seguem liderando o ranking geral de prejuízos, com 36,6% das ocorrências. Já os roubos de cigarros apresentaram forte queda no período.
Outro dado que chama atenção é a mudança no horário e nos dias preferidos pelas quadrilhas. As quintas-feiras passaram a concentrar o maior volume de perdas, enquanto as ocorrências durante a madrugada cresceram significativamente.
Entre as rodovias com maior risco estão a BR-101 e a BR-116, que continuam entre os principais corredores visados pelos criminosos.
Apesar do cenário de alta nos roubos, a nstech afirma que o uso de rastreamento, análise preditiva e integração de dados ajudou a evitar mais de R$ 72 milhões em prejuízos no primeiro trimestre deste ano.
Para especialistas do setor, o avanço do crime nas áreas urbanas e a escolha por cargas mais valiosas indicam uma atuação cada vez mais estratégica das quadrilhas, exigindo investimentos contínuos em tecnologia e inteligência logística.










