A rede pública municipal de saúde do Rio de Janeiro deu um passo histórico nesta segunda-feira (13) ao iniciar a realização de transplantes de córnea em suas unidades. A medida visa combater diretamente o represamento de cirurgias no estado, onde a fila de espera, gerenciada pelo Programa Estadual de Transplantes (PET), já soma 5.559 pessoas aguardando pela chance de recuperar a visão.
A entrada da rede municipal no fluxo de transplantes é vista como uma estratégia crucial para dar fluidez ao sistema. Até então, a alta demanda concentrada em poucas unidades especializadas dificultava a redução do tempo de espera dos pacientes.
O desafio da doação
Apesar do avanço na infraestrutura hospitalar, o sucesso da iniciativa depende diretamente do aumento no número de doadores. No Brasil, a legislação estabelece que a retirada de órgãos e tecidos só pode ocorrer mediante o consentimento expresso dos familiares de primeiro ou segundo grau.
“O maior obstáculo ainda é a falta de comunicação. Muitas vezes a pessoa deseja ser doadora, mas a família desconhece essa vontade no momento crítico”, afirmam especialistas. Por isso, a recomendação das autoridades de saúde é clara: informe seus parentes sobre o desejo de ser doador ainda em vida.
Quem pode doar?
Diferente de outros órgãos, os critérios para a doação de córnea são bastante flexíveis, o que permite um universo maior de doadores:
- Faixa Etária: Pessoas entre 2 e 80 anos podem ser doadoras.
- Saúde Ocular: O uso de óculos, lentes de contato ou a presença de problemas comuns de visão (como miopia ou astigmatismo) não impedem a doação.
- Restrições: De acordo com o Ministério da Saúde, apenas doenças infectocontagiosas transmissíveis pelo tecido (como HIV ou hepatites) representam contraindicação para o procedimento.
Com a expansão do serviço para a rede municipal, a expectativa é que o Rio de Janeiro consiga reduzir significativamente a espera, devolvendo autonomia e qualidade de vida a milhares de cidadãos que hoje vivem limitados pela deficiência visual.










